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Bacia Hidrográfica

Importância do Cerrado para as regiões hidrográficas brasileiras.


O Cerrado ocupa aproximadamente 25% do território nacional, é o segundo maior bioma brasileiro em extensão e possui uma área com cerca de 2.045.000 km² (cerca de 204 milhões de hectares). Em termos de biodiversidade, o Cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade e ao lado da Mata Atlântica, é considerado um dos hotspots mundiais, ou seja, um dos biomas mais ricos e ameaçados do mundo.

O Cerrado em sua maior parte, está localizado no Planalto Central Brasileiro que, conforme sua denominação, compreende regiões de elevadas altitudes, na porção central do país. Assim, o espaço geográfico ocupado pelo bioma desempenha papel fundamental no processo de distribuição dos recursos hídricos pelo país, constituindo-se o local de origem das grandes regiões hidrográficas brasileiras e do continente sul-americano, fenômeno apelidado de “efeito guarda-chuva”.

Para uma melhor gestão dos recursos hídricos nacionais, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) em sua Resolução Nº 32 de 2003 instituiu a divisão hidrográfica nacional em doze regiões (figura 01).
Figura 01: Regiões Hidrográficas
Das doze regiões hidrográficas brasileiras, as águas do Cerrado vertem para oito (figura 02) e no bioma existem nascentes de 3 dos maiores rios brasileiros: rio Araguaia, rio São Francisco e rio Tocantins. 

Para um maior entendimento do que isso significa em termos de abastecimento, em porcentagem de vazão o Cerrado contribui para as regiões Amazônica e Atlântico Norte com 3,8% e 8,6% respectivamente, para a região do Atlântico Leste a contribuição das águas do Cerrado é de 21%, na região do Paraná o correspondente é de quase 50%, na região Tocantins-Araguaia a contribuição é de mais de 60%. O bioma contribui também para o abastecimento de importantes aquíferos subterrâneos, entre eles o Aquífero Guarani.
Figura 02: Cerrado e as regiões hidrográficas
Já nas regiões do São Francisco, Parnaíba e Paraguai, o Cerrado é responsável respectivamente, por aproximadamente 94%, 105% e 135% da vazão gerada nessas regiões e esse fato mostra que essas regiões têm uma forte dependência do bioma para o abastecimento de seus rios. Os valores superiores a 100% indicam que o restante da área de abrangência da bacia tem um déficit no balanço hídrico em relação à geração de vazão, isso ocorre nas regiões do São Francisco e Parnaíba pela baixa produção hídrica de áreas semiáridas e na região do Paraguai devido a exposição das águas na superfície das áreas do Pantanal que faz com que o volume de água evaporada seja muito grande, o que torna o balanço hídrico negativo.

Os recursos hídricos do Cerrado possuem uma importância que extrapola em muito as dimensões do bioma. Considerando apenas questões como as de abastecimento, indústria, irrigação, navegação, recreação e turismo, já poderiam ser gerados diversos índices e números que mostram o quanto as águas do Cerrado representam para o Brasil. Vale ainda destacar que as bacias hidrográficas que possuem nascentes nesse bioma são de extrema importância para a geração da energia elétrica, as bacias do Paraguai, São Francisco e Tocantins tem importante contribuição para a geração de energia elétrica através das diversas usinas hidrelétricas presentes em seus rios.

O Cerrado é considerado o “celeiro” brasileiro, é do bioma que sai boa parte da produção agropecuária brasileira, nesse contexto há uma grande demanda de água para suprir as necessidades de tamanha produção, cerca de 80% do consumo efetivo de recursos hídricos é destinado à produção de alimentos.

Mesmo com tamanha importância para a produção e distribuição de água para diversas regiões do país, apenas 8,21% da área total do território é legalmente protegida com unidades de conservação, uma das razões que fazem do Cerrado o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ação humana. 

Existem muitos desafios a serem superados para a gestão adequada do uso dos recursos hídricos no cerrado: faltam legislações estaduais de recursos hídricos mais eficazes, faltam avanços e maior participação da sociedade nos sistemas de gestão de recursos hídricos, estruturação e consolidação dos comitês de bacias, programas de incentivo à conservação e recuperação de nascentes, incentivos para práticas de produção conservacionistas e poupadoras de água, ampliação de investimentos na área de saneamento, deve-se ter mais áreas protegidas, entre outros.

É fundamental que haja a ampliação de conhecimentos sobre o comportamento dos processos hidrológicos no Cerrado e de como os impactos das ações antrópicas sobre o bioma pode influenciar o abastecimento de água nas diferentes regiões do país, isto porque, além dos prejuízos locais que o mal uso das águas do Cerrado pode provocar, seus efeitos serão propagados por extensões muitos maiores, já que a região do bioma tem áreas de montantes de grandes bacias como foi visto no texto. 

Fontes:Agência Nacional de Águas, Ministério do Meio AmbienteSituação e perspectivas sobre as águas do cerrado, Embrapa Cerrados

por: Leovigildo Santos

4 comentários:

  1. Belo texto! #ValorizeoCerrado #SalveOCerrado

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    1. Obrigado Jéss, é sempre importante falar da enorme importância que o bioma Cerrado tem em termos ecológicos e socioeconômicos para todo o país! O Cerrado por muitas vezes é visto apenas como uma região a ser explorada pela produção agropecuária e seu verdadeiro valor por muitos é negligenciado.

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  2. Infelizmente é um dos biomas mais degradados. Existem muitas espécies de potencial madeireiro nativas do cerrado?

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    1. Existem sim Yago. Ao contrário do que muita gente acredita de que a vegetação do Cerrado seja composta somente de árvores baixas de troncos tortuosos, arbustos e gramíneas, por fazer divisa com a Catinga, Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Mata dos Cocais no Cerrado ocorre espécies arbóreas de ambos os biomas (principalmente as de dispersão zoocorica)e isso faz com que ocorra espécies madeireiras no bioma.Além do fato do Cerrado ser muito extenso e ter diferentes climas e relevos, o que favorece a formação de diferentes fitofisionomias que vão desde savanas (campos e cerrado sentido restrito)até formações florestais mais densas (florestas estacionais, matas de galeria, florestas ombrófilas, entre outras), o que favorece formações florestais com grande quantidade de espécies madeireiras e de outros usos ecológicos e econômicos também!

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