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Austrália e Amazônia: entenda a diferença entre os incêndios florestais


Desde setembro os incêndios na Austrália já destruíram milhões de hectares, provocou a morte de 24 pessoas e mais de meio milhão de espécies de animais.

O verão na Austrália é marcado por incêndios devido as altas temperaturas. Mas, de acordo com especialistas, o aumento do calor nesta temporada foi atribuído à crise do clima. O ano de 2019 foi o mais quente no país desde o início dos registros, no início do século 20. Em dezembro, uma forte onda de calor tomou conta da maior parte da Austrália, que registrou seu dia mais quente da história, com máximas 41,9 graus Celsius. Outros eventos climáticos no último ano acirraram a seca e levaram ventos que alastraram o fogo.
Australia, New South Wales, 31-12-2019, Bombeiro combatendo incedio em floresta ao redor da cidade de Nowra, no estado de New South Wales, na Australia. (Foto: Saeed KHAN / AFP)
Australia, New South Wales, 31-12-2019, Bombeiro combatendo incedio em floresta ao redor da cidade de Nowra, no estado de New South Wales, na Australia. (Foto: Saeed KHAN / AFP) (Foto: SAEED KHAN/AFP)

Ocorreu o mesmo na Amazônia?

O presidente da República, Jair Bolsonaro, criticou a omissão de Emmanuel Macron, presidente da França, e da jovem ativista Greta Thunberg sobre os incêndios que arrasam o sudeste da Austrália. Tanto Macron quanto Greta - além de outras personalidades nacionais e mundiais -, criticaram o governo brasileiro durante as queimadas que ocorreram na Floresta Amazônica, em agosto do ano passado.

"Está pegando fogo na Austrália hoje, né? O Macron falou alguma coisa agora? Falou em colocar em dúvida a soberania da Austrália? Aquela menina, aquela pequenininha lá, falou alguma coisa também? Não", questionou o presidente brasileiro em live publicada em seu perfil no Facebook.
O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também, fez comentários no Twitter a respeito dos incêndios, criticando a postura da imprensa no momento das queimadas que aconteceram no Brasil. Salles comparou os incêndios na Sibéria e Austrália, com os incêndios da Amazônia e acusou as ONGs e jornalistas de não darem a mesma ênfase a crise no Brasil.

Entretanto, as causas dos dois maiores incêndios registrados em 2019 são diferentes. Segundo a ONG Repórter Brasil, que teve acesso às investigações das polícias Civil e Federal acerca das queimadas na Amazônia, as chamas foram causadas por ação humana, em movimento chamado de "Dia do Fogo". A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo. 
Até o começo deste ano, mais de 460 mil hectares de floresta já haviam sido dizimados pelas queimadas e o estado mais atingido é o de Nova Gales do Sul, o mais populoso do país. É onde fica Sydney, a cidade com maior número de habitantes, onde vivem aproximadamente 5,5 milhões de pessoas. Estima-se que 70% dos focos de incêndios estão concentrados no território de Nova Gales do Sul e a perspectiva é de que a situação piore ainda mais.

Os incêndios - considerados naturais e registrados anualmente -, ocorrem devido à combinação de altas temperaturas na região - superiores aos 40º C -, pouca incidência de chuva, o que deixa a vegetação seca, e aos fortes ventos que espalham as chamas por vários hectares do território australiano.

E para o começo deste ano, a expectativa é de que as temperaturas na Austrália superem os 47º C, fator que pode agravar ainda mais o surgimento e a proliferação das queimadas pelo território do país. Primeira-Ministra de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, disse ser impossível controlar e erradicar as chamas até que a região volte a receber aporte de chuva.

A crise na Austrália é diferente da onda de queimadas que atingiu a Amazônia brasileira em agosto de 2019. No Brasil, o fogo foi atribuído à ação de desmatamento e abertura de pastos. Inclusive, a Amazônia possui uma bioma extremamente úmido, onde dificilmente o fogo ocorre de forma natural. Já na Austrália, os incêndios são fenômenos naturais devido a vegetação seca, parecida com o cerrado brasileiro, e pode começar com um simples raios. Até agora não há registros de que os incêndios australianos tenham sido causados pela ação humana.
 
As apurações apontaram que fazendeiros fizeram uma "vaquinha" para bancar os custos do combustível usado para propagar o fogo, além de também terem financiado a contratação de motoqueiros para espalharem o material inflamável por áreas próximas à floresta.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que faz o monitoramento da Floresta Amazônica, o desmatamento por corte raso - quando há eliminação de toda e qualquer vegetação existente sobre uma área -, foi de 9.762 mil km² na área da Amazônia Legal.

O número representou aumento de 30% no índice de desmatamento da Amazônia Legal, tendo como base o ano de 2018, quando a taxa foi de 7.536 mil km². Entretanto, se comparado com 2004 - que apresentou a maior quantidade de desmatamento por metro quadrado das duas últimas décadas -, houve diminuição de 65% do desmatamento na floresta.


Extensão dos incêndios na Austrália. A Fumaça já chegou ao Brasil

O governo australiano divulgou durante os últimos dias levantamentos de áreas afetadas. As queimadas atingiram mais de 6,3 milhões de hectares de terras pelo país, uma área do tamanho da Áustria. Além disso, foram destruídos milhares de prédios e cidades ficaram sem eletricidade e sinal de telefonia móvel. A região com mais focos de incêndios são os estados de Nova Gales do Sul e Victoria.

Segundo o primeiro-ministro do país, Scott Morrison, a Austrália vai destinar 2 bilhões de dólares australianos, cerca de R$ 5,6 bilhões, além das dezenas de milhões já prometidas, para a recuperação de áreas afetadas pelos incêndio.

A fumaça dos incêndios na Austrália chegou, novamente, à América do Sul. A nuvem percorreu mais de 12 mil quilômetros e cobriu o Chile e a Argentina na segunda-feira (6). As informações são do Portal R7.

A fumaça pode passar pelo Uruguai e, então, chegar ao Brasil, sobre o Rio Grande do Sul, nesta terça feira (7).

Fumaça dos incêndios na Austrália chegam na Argentina – Foto: Reprodução/Twitter
 
A MetSul, empresa privada de meteorologia da região Sul, explicou no Twitter que, diferentemente da fumaça vinda das queimadas na Amazônia e que piorou a qualidade do ar em diversas regiões do país, trazendo riscos à saúde, a fumaça vinda da Austrália está em altitudes maiores e não vai afetar a qualidade do ar.

Em novembro, a fumaça dos incêndios florestais já tinha chegado à Argentina, mas passou sem oferecer riscos e nenhum impacto à região.

O fogo continua fora de controle na Austrália e já matou mais de 1 bilhão de animais, devastou uma área de mais de 31 mil metros quadrados e deixou 25 mortos.



Fonte: O Povo / NDMais / Brasil 247 / GoOutside / PlenoNews


por: Lucas Monteiro

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