81ª SOEA começa em Sergipe com defesa da engenharia como motor do desenvolvimento brasileiro

81ª SOEA começa em Sergipe com defesa da engenharia como motor do desenvolvimento brasileiro

ARACAJU, SE - A capital sergipana recebeu nesta terça-feira (13) a abertura da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA). Com mais de 5 mil inscritos e cerca de 150 palestrantes previstos, o encontro reúne profissionais, pesquisadores, estudantes, autoridades e representantes de entidades nacionais e internacionais para discutir o papel da engenharia, da agronomia e das geociências no desenvolvimento do país.

Com o tema “Inovação e Engenharia para Desenvolver o Brasil”, a programação ocorre de 13 a 16 de outubro no Centro de Convenções AM Malls, em Aracaju, que sedia a SOEA pela primeira vez. Infraestrutura, sustentabilidade, água, saneamento, energia e transformação tecnológica estão entre os assuntos em debate.

A solenidade começou com um momento de valorização da cultura local: a Orquestra Sanfônica de Aracaju interpretou o Hino Nacional Brasileiro ao som de sanfonas, trazendo a tradição musical sergipana para a abertura do encontro.

Engenharia como resposta às desigualdades sociais

O presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), Vinicius Marchese Marinelli, defendeu uma atuação mais próxima das necessidades reais da população. Em sua fala, enfatizou que o cidadão espera soluções efetivas para problemas de abastecimento de água, saneamento e infraestrutura, e não disputas sobre quem deve executá-las.

Ao relacionar a falta de serviços essenciais às diferenças de oportunidades entre regiões, Marchese chamou a atenção para o impacto do lugar de nascimento na qualidade de vida. “Não é justo um cidadão viver 20 anos a menos do que outro cidadão pelo simples fato de ter nascido num CEP diferente”, afirmou durante o discurso.

O presidente também pediu que engenheiros, agrônomos e geocientistas participem mais das decisões públicas e repensem a forma como o Sistema Confea/Crea se comunica com a sociedade. Segundo ele, a transformação tecnológica e o avanço da inteligência artificial exigem atualização profissional e institucional.

Planejamento e investimentos em infraestrutura

A vice-presidente do Confea, Ana Adalgisa Dias Paulino, destacou a responsabilidade dos profissionais de levar aos representantes políticos informações técnicas sobre as necessidades dos estados e municípios. Em um ano eleitoral, defendeu que diagnósticos de infraestrutura orientem prioridades de investimento em áreas como água, saneamento, mobilidade e energia.

Nessa discussão, o Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR) surge como instrumento de apoio à compreensão das condições de infraestrutura e ao planejamento de políticas públicas.

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, apresentou a infraestrutura como prioridade do estado. Na solenidade, afirmou que Sergipe investe o equivalente a 8% de sua receita corrente líquida no setor e citou cerca de R$ 9 bilhões em intervenções públicas. Conforme informações divulgadas anteriormente pelo governo estadual, esse montante contempla obras em execução e também iniciativas em fase de licitação ou elaboração de projetos.

 

Mitidieri mencionou ainda projetos de segurança hídrica e defendeu a ampliação dos investimentos no Nordeste. Entre as iniciativas estruturantes do estado está a Adutora do Leite, projetada para reforçar o abastecimento no alto sertão sergipano e apoiar a produção agropecuária, com investimento estimado oficialmente em R$ 618,2 milhões.

O engenheiro civil Dilson Luiz de Jesus Silva, presidente do Crea-SE  e uma das lideranças anfitriãs do evento, ressaltou o significado de Sergipe receber a Semana e o papel das profissões tecnológicas nas obras públicas, no setor energético e no desenvolvimento regional.

Pesca, agronomia e soberania alimentar

O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, valorizou a contribuição dos engenheiros agrônomos e engenheiros de pesca para a produção de alimentos e para o crescimento econômico do Brasil.

Durante o discurso, associou o conhecimento técnico à segurança e à soberania alimentar, destacando a transformação do país em exportador de alimentos e defendendo a ampliação da presença de profissionais da engenharia nos espaços de gestão pública.

Cooperação internacional e valorização profissional

Entre os convidados internacionais, o bastonário da Ordem dos Engenheiros de Portugal, Fernando de Almeida Santos, ressaltou a comunidade de língua portuguesa e as oportunidades de aproximação profissional entre países lusófonos.

O presidente da Mútua — Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, Joel Krüger, também participou da abertura. Ele destacou a importância da integração entre os profissionais e apresentou novidades e serviços da instituição em áreas como previdência, saúde e tecnologia.

Martha Gabriel discute o futuro da engenharia na era da IA

O encerramento da solenidade de abertura contou com a palestra magna “Liderando o Futuro com a IA”, conduzida pela engenheira e especialista em inovação Martha Gabriel.

A palestrante propôs reflexões sobre a diferença entre o ritmo da evolução humana e a velocidade das transformações tecnológicas. Abordou também a importância de observar tendências, planejar cenários e usar a tecnologia de maneira orientada por objetivos humanos.

Para as profissões tecnológicas, a discussão trouxe à tona o desafio de se adaptar às novas ferramentas sem perder o pensamento crítico e a capacidade de formular soluções para problemas concretos.

Debates seguem até sexta-feira

A 81ª SOEA continua até 16 de outubro com palestras, debates, minicursos e atividades distribuídas em sete eixos temáticos: Energia e Conectividade; Mobilidade; Água; Bem-Estar Social e Cidadania; Meio Ambiente e Sustentabilidade; Saneamento Básico; e Agroindústria.

Para engenheiros florestais, ambientais e agrônomos, as discussões incluem temas associados ao planejamento territorial, à gestão dos recursos naturais, à produção sustentável e à aplicação de novas tecnologias.

O primeiro dia reforçou uma mensagem compartilhada por diferentes participantes: o desenvolvimento brasileiro depende de transformar conhecimento técnico, planejamento e inovação em soluções que melhorem a vida da população.

O Florestal Brasil acompanha a 81ª SOEA em Aracaju e seguirá trazendo os principais debates e novidades para os profissionais do setor. 
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