Ciclo de Corte personalizado: As vantagens do Manejo florestal por espécies
Resultados de estudos realizados pela EMBRAPA com produtos de importância econômica na região, como maçaranduba, cupiúba e cumaru, abrem caminho para a bioeconomia:
Estudos realizados por unidades de pesquisa da Embrapa em diferentes regiões brasileiras comprovam que o manejo florestal por espécie é uma inovação com potencial de agregar renda e sustentabilidade à Amazônia. Adequar a intensidade de exploração, diâmetros e os ciclos de corte às peculiaridades de cada espécie, e não ao volume total de árvores nas áreas manejadas, garante retorno econômico mais rápido ao produtor e mantém o equilíbrio da diversidade da floresta. Confira os principais resultados da pesquisa:- Estudos da Embrapa apontam que o manejo florestal por espécie é a forma mais eficiente de exploração sustentável da Amazônia.
- Nessa lógica, a intensidade de exploração, diâmetros de corte e ciclos de corte são customizados de acordo com as características de cada espécie.
- Resultados com produtos de importância econômica do bioma como maçaranduba, cupiúba e cumarú corroboram a pesquisa e abrem caminho para a bioeconomia.
- Experiências em diversos estados brasileiros da região amazônica mostram benefícios para a recuperação de espécies florestais.
- Pesquisa apoia a legislação florestal brasileira.
- Drones podem auxiliar no mapeamento por espécie nas áreas manejadas.
Os individuos jovens dessa espécie podem levar mais de uma centena de anos para atingirem o diâmetro mínimo de corte (DMC) de 50 cm. “Então a exploração contínua dessa espécie em ciclos consecutivos de 35 anos não garente o mesmo retorno financeiro e compromete a recuperação do estoque nas áreas exploradas, já que os indivíduos jovens levam muito mais tempo para se recuperarem”, afirma o cientista.LEIA MAIS: Manejo sustentável é chave para o futuro da floresta
Extrair o que a floresta é capaz de recuperar
Na Fazenda Rio Capim, município de Paragominas, região nordeste do Pará, a Embrapa Amazônia Oriental em parceria com a empresa Cikel avaliou a taxa de recuperação dos estoques de árvores para diferentes espécies. Essa taxa é o volume de árvores que em 35 anos alcança o diâmetro mínimo de corte. “Esse cálculo é simples: quanto menor a taxa de recuperação, menor o crescimento das espécies”, alerta Mazzei. Além da maçaranduba, as espécies avaliadas foram a timborana (Pseudopiptadenia psilostachya G. P. Lewis & M. P. Lima), breu vermelho (Protium altsonii Sandwith) e o piquiá (Caryocar villosum Pers). Todas são espécies exploradas comercialmente. Entre elas, considerando uma intensidade de exploração de cerca de 90%, ou seja, quase a totalidade das árvores aptas ao corte, o breu vermelho apresentou a maior taxa de reconstituição, de 65%, e a maçaranduba a menor taxa: 2%. Já a timborana e o piquiá obtiveram taxas de recuperação de 12% e 6%, respectivamente. Para o engenheiro florestal Josué Evandro Ferreira, que é o responsável técnico pelos planos de manejo da empresa Cikel, atualmente a exploração legal é a mesma para espécies de rápido e de longo crescimento. “Sabemos que têm espécies que se recuperam em 20 anos, mas outras precisam de 100 anos”, complementa.OUÇA: FloresCast #17 – Manejo Florestal 2050Ele acrescenta que a pesquisa vem cada vez mais dando subsídios para que o manejo funcione bem e mantenha a floresta em pé. “O manejo florestal por espécie é plenamente viável, mas precisa de divulgação, principalmente nos órgãos de fiscalização, pois a lei já indica que é possível customizar o manejo de acordo com índices técnico-científicos”, afirma. A atividade deve caminhar na direção da sustentabilidade, ou seja, “entrar na floresta e extrair o que ela oferece no momento, respeitando o ciclo de recuperação de cada espécie, seja de 15, 20, 30 ou 100 anos”, conclui.
Confira o vídeo com mais informações sobre essa pesquisa
Fonte: EMBRAPA