Mato Grosso projeta salto em Florestas plantadas para sustentar indústria do Etanol de Milho

Mato Grosso projeta salto em Florestas plantadas para sustentar indústria do Etanol de Milho

Em um movimento estratégico para consolidar sua posição como líder na transição energética brasileira, o Governo de Mato Grosso oficializou um plano ambicioso: triplicar a área de florestas comerciais no estado até 2040. A meta é saltar dos atuais 200 mil para 700 mil hectares, garantindo que o "pulmão" das indústrias — especialmente as usinas de etanol de milho — seja movido por biomassa renovável e planejada.

A produção de biomassa com cavaco é o processo de triturar resíduos de madeira (galhos, tocos, sobras de serraria) em pequenos pedaços, transformando-os em combustível renovável para gerar energia térmica ou elétrica. É uma forma sustentável de aproveitar resíduos florestais, reduzir o uso de combustíveis fósseis e promover a economia circular

Ao produzir cavacos para biomassa, aproveitamos resíduos que seriam descartados e contribuímos para a redução do uso de combustíveis fósseis, promovendo a economia circular e o desenvolvimento sustentável.

 

O anúncio, detalhado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), surge em um momento crucial. Com dez usinas em operação e diversas outras em fase de projeto, a demanda por energia térmica para as caldeiras disparou, evidenciando que a oferta atual de madeira não será suficiente para sustentar o ritmo industrial a longo prazo.

FS/Divulgação FS/Divulgação Usina de milho de Lucas do Rio Verde, a primeira unidade da FS

O Equilíbrio entre Necessidade e Sustentabilidade

A iniciativa é vista como um divisor de águas para o setor florestal, equilibrando o crescimento econômico com a pressão por práticas ESG (Environmental, Social, and Governance). Confira os dois lados dessa transição:

Segurança e Descarbonização

  • Segurança Energética: O plano reduz a vulnerabilidade das indústrias, que hoje dependem da disponibilidade sazonal e incerta de madeira oriunda de supressão vegetal legal.

  • Reabilitação de Solo: A aposta principal recai sobre o reflorestamento de áreas degradadas ou de baixa produtividade, transformando terras subutilizadas em ativos econômicos e ambientais.

  • Selo Verde para o Etanol: Ao substituir gradualmente a madeira nativa pelo eucalipto e outras espécies plantadas, o etanol de milho mato-grossense ganha força nos mercados internacionais mais rigorosos.

  • Metas de Descarbonização: O estado projeta eliminar a necessidade de supressão de vegetação nativa para fins industriais até 2035, alinhando-se aos compromissos globais de emissão líquida zero.

Os Desafios da Transição e Fiscalização

  • Janela de Tempo Crítica: Existe um hiato temporal entre o plantio e a colheita das florestas. Até que os novos hectares atinjam o ponto de corte, a pressão sobre o mercado de biomassa atual permanecerá alta.

  • Pressão do Ministério Público: O setor enfrenta investigações sobre a legalidade da origem da madeira nativa utilizada atualmente. A transição precisa ser rápida o suficiente para evitar sanções que possam paralisar unidades industriais.

  • Logística e Custos: A expansão exige investimentos pesados em infraestrutura logística para o transporte da madeira, além de atrair produtores rurais para um cultivo que possui um ciclo de retorno mais longo que o de grãos.


Importância Estratégica para o Setor Florestal

Para o setor florestal, além de uma meta agrícola, esse plao prevê a criação de um novo mercado robusto. Mato Grosso, que já domina a produção de grãos e carne, agora se posiciona para ser uma potência em silvicultura industrial.

"Não é viável, do ponto de vista estratégico, continuar consumindo madeira de origem nativa vinculada à supressão. Precisamos de planejamento para garantir que o crescimento industrial não seja interrompido por falta de matéria-prima", afirmou Mauren Lazzaretti, secretária da Sema-MT.

Ao manter 60% de seu território preservado e, simultaneamente, fomentar 500 mil novos hectares de florestas plantadas, o estado busca provar que a produção de biocombustíveis e a preservação do Cerrado e da Amazônia podem — e devem — caminhar juntas. O sucesso desta empreitada definirá se Mato Grosso continuará a ser o motor econômico do país na era da economia de baixo carbono.

Fonte: CNN / Cenário MT