Navio deixa Macaé após 83 dias encalhado, mas impactos ambientais ainda precisam ser monitorados

Navio deixa Macaé após 83 dias encalhado, mas impactos ambientais ainda precisam ser monitorados

Depois de permanecer 83 dias encalhado na Praia Campista, em Macaé, no Norte Fluminense, o navio de apoio marítimo Skandi Amazonas finalmente deixou a costa do município.

A embarcação foi reflutuada e rebocada para um estaleiro em Niterói, onde deverá passar por inspeções técnicas finais. O encerramento da operação de salvamento, entretanto, não significa que o acompanhamento ambiental também deva terminar.

O episódio reforça a necessidade de avaliar possíveis impactos acumulados durante os quase três meses em que o navio permaneceu próximo à costa, além de ampliar medidas de prevenção diante da intensa atividade offshore existente na região.

Navio permaneceu 83 dias encalhado

O Skandi Amazonas encalhou intencionalmente na Praia Campista em 15 de maio, depois de atingir um banco de rochas e sofrer uma ruptura no casco.

A decisão de direcionar a embarcação para a praia foi tomada para evitar que o navio afundasse.

A partir daí, iniciou-se uma operação complexa para estabilizar a embarcação, avaliar os danos e criar condições para sua reflutuação.

Durante os 83 dias em que permaneceu encalhado, diferentes equipes técnicas e órgãos públicos acompanharam o caso.

Ibama acompanhou riscos ambientais

Segundo informações fornecidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o Ibama acompanhou integralmente a operação de salvamento, com atenção específica aos riscos ambientais.

Os reparos subaquáticos, testes de estanqueidade e procedimentos de ancoragem necessários para a reflutuação foram autorizados pela Capitania dos Portos.

Ao mesmo tempo, o órgão ambiental manteve a exigência de cumprimento dos planos de monitoramento da fauna e da qualidade da água durante a operação.

Esses acompanhamentos são importantes porque acidentes envolvendo embarcações podem provocar diferentes tipos de impacto sobre o ambiente marinho e costeiro, principalmente quando existem danos estruturais no casco.

Operação exigiu reparos subaquáticos

Para permitir que o navio voltasse a flutuar, mergulhadores especializados realizaram intervenções diretamente na estrutura da embarcação.

A parte superior do casco de fundo duplo foi vedada e a água acumulada no interior da estrutura foi retirada por meio de bombeamento controlado.

Após a reflutuação, o conserto definitivo da parte inferior do casco foi realizado já em alto-mar, nas proximidades da Ilha de Santana.

Somente depois dessa etapa a embarcação pôde seguir rebocada em direção a Niterói.

A operação contou ainda com participação da Marinha do Brasil, da Secretaria Executiva de Defesa Civil e da Guarda Municipal de Macaé.

Prevenção precisa ser prioridade

O episódio também levantou discussões sobre a capacidade de prevenção e resposta a acidentes marítimos em uma região fortemente ligada à indústria offshore.

O jornalista, ambientalista e mestre em Gestão Ambiental Emanuel Alencar defendeu que o caso seja utilizado como alerta para reforçar medidas preventivas.

Segundo ele, ações como monitoramento constante, manutenção da sinalização náutica e desenvolvimento de protocolos de gestão de risco tendem a ser mais eficientes do que concentrar esforços apenas depois que um acidente já aconteceu.

Macaé possui intensa movimentação relacionada às atividades offshore, o que torna necessária a integração entre empresas, órgãos ambientais e demais instituições responsáveis pela segurança marítima e proteção ambiental.

Monitoramento deve continuar após a retirada do navio

A saída da embarcação elimina o elemento mais visível do acidente, mas ainda existe a necessidade de compreender se o período de encalhe provocou alterações no ambiente costeiro.

O acompanhamento da qualidade da água e da fauna exigido pelo Ibama durante a operação pode fornecer informações importantes para essa avaliação.

A análise também pode ajudar a identificar eventuais efeitos acumulados e verificar se serão necessárias medidas adicionais de acompanhamento ou recuperação.

Esse tipo de monitoramento é particularmente relevante porque alguns impactos ambientais podem não ser imediatamente perceptíveis durante a ocorrência.

Proprietária declarou perda total construtiva

Os danos sofridos pelo Skandi Amazonas foram considerados economicamente severos.

A proprietária da embarcação, a DOF, concluiu que os custos necessários para realizar o reparo ultrapassariam o valor previsto pelo seguro.

Com isso, o navio foi declarado como perda total construtiva.

A indenização prevista é de US$ 115 milhões.

A classificação não significa necessariamente que a embarcação esteja fisicamente impossibilitada de ser reparada, mas indica que, do ponto de vista econômico, o custo do conserto foi considerado superior ao limite estabelecido para sua recuperação.

Acidente reforça importância do planejamento ambiental

O encalhe do Skandi Amazonas demonstra como acidentes marítimos podem exigir operações longas e tecnicamente complexas.

No caso de Macaé, foram quase três meses envolvendo reparos, mergulhadores, órgãos ambientais, forças de segurança e equipes especializadas até que a embarcação pudesse deixar a praia.

O episódio também evidencia que a gestão ambiental não deve ocorrer apenas no momento da emergência.

Prevenção, fiscalização, manutenção das estruturas de segurança e definição prévia de protocolos de atuação podem reduzir riscos e permitir respostas mais rápidas diante de novos acidentes.

Para uma cidade diretamente relacionada à exploração e ao apoio à produção offshore, incorporar essas medidas ao planejamento permanente é fundamental.

A retirada do navio encerra uma etapa importante da ocorrência na Praia Campista. O próximo passo é garantir que o acompanhamento ambiental seja suficiente para determinar se houve impactos sobre o ecossistema costeiro e quais medidas serão necessárias para evitar que situações semelhantes produzam consequências mais graves no futuro.

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