Reflora: como o Brasil trouxe de volta, em imagens, as plantas levadas por naturalistas europeus

Reflora: como o Brasil trouxe de volta, em imagens, as plantas levadas por naturalistas europeus
 

Nos primeiros meses de 1832, um jovem inglês de 23 anos percorria os arredores de Salvador, na Bahia, com uma prensa de madeira e uma pilha de papel sob o braço. Tinha acabado de desembarcar de um navio de levantamento hidrográfico da Marinha britânica e, deslumbrado com a exuberância da Mata Atlântica, anotou em seu diário que “deleite” era pouco para descrever o prazer de explorar uma floresta brasileira pela primeira vez. Entre as plantas que prensou, secou e etiquetou naquelas semanas baianas não havia nada de espetacular: o exemplar nº 158 de sua coleta era uma ervinha de beira de caminho e de flores brancas, dessas que crescem em qualquer chão. Quase dois séculos depois, o registro ainda guarda a caligrafia do coletor: Charles Darwin (1809-1882), que passou pelo Brasil durante sua histórica viagem a bordo do HMS Beagle.

O que é exsicata
Amostra de planta prensada, seca em estufa e fixada em cartolina ao lado de uma etiqueta com nome da espécie e do coletor, data e local da coleta e um número de tombo único. É a unidade básica de um herbário e um registro da presença daquela planta em determinado lugar e momento.

A planta coletada nunca mais voltou à Bahia. Como o restante do material botânico da viagem, seguiu em caixotes para Cambridge, na Inglaterra, aos cuidados do reverendo John Stevens Henslow, professor e mentor de Darwin, que distribuiu duplicatas entre colegas. Uma delas foi parar no herbário particular de William Jackson Hooker, primeiro diretor dos Jardins Botânicos Reais de Kew — que hoje abrigam cerca de 450 espécimes vegetais coletados pela expedição do Beagle —, e pai de Joseph Dalton Hooker, melhor amigo do naturalista. William morreu em 1865 e sua coleção pessoal foi comprada pelo governo britânico no ano seguinte. Em 1867, a ficha da ervinha coletada por Darwin foi marcada com as palavras “Herbarium Hookerianum”. O carimbo azul continua lá, intacto, ao lado do ramo seco.

Nos 150 anos seguintes, o espécime trocou de nome quatro vezes, e cada botânico que o examinou colou na cartolina uma etiqueta nova, refletindo a sucessiva reclassificação da espécie em diferentes gêneros: Hemidiodia (ano indeterminado), Diodia (1991), Borreria (2000), Spermacoce. Essa última é de fevereiro de 2014, assinada por uma pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Sueli M. Gomes. Ao lado da planta seca, três códigos de barras — um para cada exemplar da ficha, incluindo o de Darwin, ao centro — trazem impressa a mesma frase: Imaged for Reflora.

Foi um desses registros que o hematologista Marco Antonio Zago viu em 6 de outubro de 2009. Então presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ele estava em Kew para assinar uma carta de entendimento que daria origem ao Reflora — programa do CNPq, lançado no ano seguinte, para trazer de volta ao Brasil, digitalmente, amostras da flora brasileira levadas por naturalistas europeus entre os séculos 18 e 20. Ao ouvir dos anfitriões que a coleção britânica guardava algo como 300 mil amostras de plantas brasileiras, ele não hesitou. “Eu pedi para ver uma. E eles trouxeram logo uma exsicata coletada pelo Charles Darwin”, lembra Zago, hoje presidente da FAPESP. “É emocionante ter contato com amostras que uma figura dessa importância para a ciência coletou aqui, no Brasil.”

Acervo KewErva (no centro) colhida pelo inglês Charles Darwin em passagem pela Bahia, em 1832Acervo Kew

Simbiose internacional

Dezesseis anos depois do acordo assinado, quem menciona o programa brasileiro como referência é o próprio Kew. Em março, o jardim botânico britânico concluiu o maior projeto científico de sua história: a digitalização de 7,4 milhões de espécimes de plantas e fungos, num esforço de quatro anos. Na direção executiva de ciência de Kew desde 2019, o biólogo Alexandre Antonelli — primeiro brasileiro no cargo — aponta para a semente da ideia. “O Reflora foi o primeiro projeto mundial de repatriação digital de coleções brasileiras depositadas no exterior e foi uma inspiração para nós”, declarou à Agência FAPESP em junho de 2026.

Repatriar, nesse caso, não é trazer a planta seca de volta ao Brasil, mas a sua imagem. A promessa de retorno que Gilberto Gil entoa em “Eu vim da Bahia” (“Mas eu volto pra lá”) se cumpre em altíssima resolução e realce: cada exsicata é fotografada com etiqueta, escala e código de barras, e a imagem é enviada ao Herbário Virtual Reflora, hospedado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), onde uma equipe transcreve as informações de coleta para um banco de dados estruturado. Foi assim que, até o fechamento desta reportagem, em setembro de 2026, cerca de 265 mil amostras vindas de Kew e por volta de 250 mil do Museu Nacional de História Natural de Paris (MNHN) vieram, digitalmente, parar no Brasil — a maioria delas, repatriadas.

Três dias depois da visita a Kew, em 9 de outubro de 2009, Zago assinou um segundo acordo, dessa vez, em Paris — e a cena rendeu uma coincidência que ele faz questão de recordar. A sala do museu escolhida para a cerimônia tinha, em uma das paredes, uma grande tela com uma girafa. Era Zarafa, que, em 1826, cruzou o Mediterrâneo de navio até Marselha e, como não havia como transportá-la, seguiu a pé até Paris, em uma caminhada de mais de 40 dias e quase 900 km, que atraiu multidões e disparou uma “girafamania” na moda e na decoração da época. Zarafa viveu em Paris até 1845 e o retrato mais conhecido dela, pintado em 1827 por Nicolas Huet, integra o acervo do MNHN. De certa forma, a imagem da girafa Zafara, de um espécime retirado do seu hábitat para nunca mais voltar, simbolizava a história das plantas que a expedição brasileira buscava resgatar.

Quem foi Zarafa
A primeira girafa a pisar na França foi oferecida pelo vice-rei do Egito, Muhammad Ali (não confundir com o boxeador), ao rei Charles 10º.

Repatriação digital

Quando os acordos foram assinados, ainda não existia Reflora, mas já havia a demanda.

No fim dos anos 1990, botânicos de Kew obtiveram financiamento do fundo britânico Darwin Initiative para um projeto-piloto, de um ano: a ideia era enviar ao Brasil imagens fotográficas de alta resolução de espécimes-tipo (exemplares que servem de referência para a descrição original de cada espécie) oriundos do Nordeste. Juntamente com essas imagens, vieram fotocópias das publicações originais em que as espécies foram descritas como novas para a ciência. Numa segunda fase, apoiada por financiadores corporativos e filantrópicos de Kew, imagens de outras famílias botânicas foram disponibilizadas, mas agora digitalmente e on-line. Paralelamente, numa ação complementar em 1998, o Programa Plantas do Nordeste (PNE) — conduzido por uma associação de pesquisadores em parceria com o Kew e com apoio do CNPq — também colhia dados sobre plantas do Nordeste brasileiro, com foco especial naquelas utilizadas como lenha, forragem e para fins medicinais.

Em 2006, um documento do Ministério da Ciência e Tecnologia já listava o repatriamento de informações sobre a biodiversidade brasileira como necessidade “indiscutível”, sem que houvesse iniciativa para executá-lo, como consta em um artigo que reconta a história do Reflora, publicado em 2024 na revista Biota Neotropica.

Arquivo pessoalEm Paris, em 2009, o então diretor-geral do Museu Nacional de História Natural de Paris, Bertrand-Pierre Galey (à esq.), e Marco Antonio Zago, à época presidente do CNPq, assinam um dos acordos internacionais que originaram o RefloraArquivo pessoal

A virada veio de uma conversa. “A Ana Maria Giulietti, uma botânica importante da nossa época, com uma visão futurista, conseguiu uma reunião com a presidência do CNPq e explicou a situação: estamos avançando, mas para seguir adiante precisamos digitalizar as coleções”, relembra a botânica Rafaela Forzza, coordenadora do Reflora desde o início do programa. Naquele momento, o país acabava de entregar à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da Organização das Nações Unidas (ONU), a lista de espécies da flora brasileira, organizada por ela, mas ainda com pouquíssimos acervos on-line.

Do outro lado da mesa, Zago viu a chance de ampliar o pedido. “Eu me lembro da proposta de um herbário do Nordeste que queria apoio do CNPq para digitalização. Vi nisso a possibilidade de fazer algo de amplitude nacional”, diz. A ideia de sediar o sistema no JBRJ surgiu ali, já acompanhada de um obstáculo comum nesse tipo de projeto: convencer os donos de coleções pequenas a aderir à iniciativa. “É uma discussão dolorosa, porque as pessoas tratam a coleção como propriedade”, completa.

O repatriamento foi o argumento que faltava. “Essa foi a novidade que convenceu a todos e fez com que se agregassem”, afirma Zago, que se informou sobre onde estavam as maiores coleções de plantas brasileiras na Europa e planejou a viagem a Londres e Paris. Ficou impressionado com o número de amostras de Kew — até chegar ao museu francês. “Falei: ‘Lá em Kew tem cerca de 300 mil’. Responderam: ‘Temos bem mais do que isso’.”

Repatriar as exsicatas fisicamente estava fora de cogitação. A saída era a tecnologia que começava a se disseminar nos grandes herbários. “Você pode aumentar a imagem da folha e examinar a densidade e a natureza dos pelos, observar a disposição das nervuras. Ficou evidente que nós não precisávamos ter os espécimes aqui se conseguíssemos digitalizar”, diz Zago. Os acordos previam bolsistas brasileiros de mestrado e doutorado trabalhando nas coleções europeias, o que ajudava a priorizar as amostras do país.

Zago deixou o CNPq logo depois das assinaturas, e coube ao sucessor, Carlos Alberto Aragão, lançar um edital para a captação de apoio financeiro. Entre 2010 e 2015, o Reflora movimentou cerca de R$ 24,5 milhões, oriundos de diversas fontes: R$ 9,1 milhões do CNPq e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), R$ 5 milhões de 12 fundações estaduais de amparo à pesquisa, entre elas a FAPESP, R$ 3 milhões da Natura, R$ 2,9 milhões da Capes, R$ 2,7 milhões do Fundo Newton britânico e R$ 1,7 milhão da Vale. O Herbário Virtual Reflora entrou no ar em 30 de setembro de 2013, com cerca de 420 mil imagens.

Acervo KewLucilene Velo (CNPq), Andy Burchell (Kew), Marco Antonio Zago (CNPq) e Eimear Nic Lughadha (Kew), em encontro que deu origem ao Reflora, em LondresAcervo Kew

Para os parceiros europeus, o programa já nasceu dando bons frutos. “O Reflora foi o primeiro herbário virtual do mundo que tinha a conservação como objetivo principal”, destaca a botânica Eimear Nic Lughadha, atualmente líder de pesquisa em avaliação de conservação em Kew e, nos anos 2010, representante da instituição no comitê técnico do Reflora. A afirmação é mensurável: numa análise de 806 publicações científicas citando o Reflora até 2017 — quatro anos após o lançamento —, cerca de 50% mencionaram resultados relevantes para a conservação das espécies — o que também foi relatado por 80% dos 1.069 usuários que responderam a uma enquete para o mesmo estudo. “Disponibilizar os dados sobre diversidade biológica à comunidade de pesquisadores faz parte do nosso DNA, e o conhecimento sobre as espécies se beneficia enormemente com isso”, completa.

Em Paris, o botânico Marc Pignal, ex-diretor de coleções do MNHN e representante do museu no comitê técnico do Reflora, lembra bem da visita de Zago. “Apresentamos o herbário da princesa Isabel, que mantemos nas coleções históricas. No âmbito do Reflora, produzimos réplicas digitais fiéis depositadas no Museu Nacional do Rio de Janeiro”, conta. Entre 2010 e 2013, o museu digitalizou integralmente seu herbário, e a experiência se estendeu a países vizinhos do Brasil. “Partimos do princípio de que a distribuição das espécies vegetais não está ligada às fronteiras políticas dos países.” Pignal também menciona a importância de projetos anteriores de digitalização envolvendo o MNHN e outras instituições brasileiras, como o antigo Instituto de Botânica de São Paulo (IBt) — atualmente integrado ao Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) — e o Centro de Referência em Informação Ambiental (Cria), de Campinas (SP).

Biblioteca viva

O Reflora nasceu para repatriar, mas não parou por aí. “A ideia inicial era somente trazer de volta dados e imagens dos acervos de Kew e Paris. Só que essa pessoa que vos fala era curadora do maior herbário do Brasil, que não tinha imagens das próprias amostras”, diz Forzza, que foi curadora do herbário do JBRJ entre 2006 e 2023. “Parecia incoerente eu trabalhar no repatriamento de imagens sendo que as amostras de que eu era curadora também precisavam ser digitalizadas.” O acervo do Jardim Botânico, então, entrou no pacote. A partir de 2014, com apoio do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) e do Inventário Florestal Nacional (IFN), outros herbários europeus, norte-americanos e brasileiros foram incluídos no projeto, alguns deles recebendo equipamentos, treinamento e bolsistas para a digitalização de seus espécimes. Hoje, o Herbário Virtual reúne 4.866.086 imagens de 86 coleções do Brasil e do exterior — 806.582 delas do herbário do JBRJ, identificado pela sigla RB (“R” de “Rio” e “B” de “botanic”, seguindo o código internacional para nomenclatura de herbários).

Visitei o RB em julho, recebido pelos curadores Cassia Sakuragui e Ricardo da Gama Bahia, que percorreram comigo não somente os corredores do herbário, mas o caminho de uma planta, vinda da mata, até parar num servidor de dados (mais detalhes no infográfico acima). Tudo começa em campo, com a coleta de um ramo, idealmente com flores ou frutos, e o registro de coordenadas, altitude, hábito, cor e outros detalhes que somem com a secagem. O material é prensado entre folhas de jornal para transporte — ou embebido em álcool para não apodrecer, em expedições por regiões úmidas. Chegando ao herbário, a planta vira recheio de um sanduíche de jornais, papelões e chapas de alumínio corrugados, que vai para a estufa a 70 °C até secar por completo. Identificada, a planta ganha número de tombo, um código de barras, e é fixada em cartolina ao lado da etiqueta, fotografada em alta resolução e, enfim, guardada em armários a 18 °C constantes, organizados por família, gênero e espécie.

“A incorporação ao herbário não encerra a história daquele exemplar. Na realidade, é quando começa sua vida como parte de uma infraestrutura científica permanente”, explica Bahia. O exemplar pode ser emprestado a outras instituições, receber novas identificações e alimentar estudos que vão da taxonomia à biogeografia, incluindo a conservação de espécies ameaçadas de extinção.

Lá também me apresentaram a mesa de digitalização, que é um dos símbolos do Reflora. Enquanto Paris fotografava as fichas em esteiras industriais e Kew usava câmeras especiais, os acervos brasileiros precisavam encontrar soluções mais viáveis economicamente. “Chamamos um marceneiro, um serralheiro, contratamos um fotógrafo que nos deu consultoria: ‘Posiciona a lâmpada aqui. Essa lente é a melhor’. E assim montamos um modelo de mesa que hoje diversos herbários pelo Brasil reproduzem. Fomos nós que desenvolvemos”, conta Forzza. E assim foi possível digitalizar coleções menores. “Se o Reflora não tinha esse objetivo, eu tinha”, afirma.

Os gargalos seguintes eram invisíveis ao público. As imagens repatriadas chegam em arquivos digitais brutos, muito maiores do que as versões consultadas on-line, e a rede do JBRJ não dava conta. Foi preciso trocar todo o cabeamento e montar um data center. Em alguns momentos, as equipes europeias vinham ao Rio com malas cheias de HDs externos. “Eu sou só botânica, e de uma geração antiga. Quando alguém falava ‘precisa comprar um servidor’, eu pensava que servidor faz concurso público”, diz, brincando, Forzza. Do outro lado da tela, um time de bolsistas abria cada imagem e transcrevia o que lia em etiquetas manuscritas em inglês ou francês dos séculos 18 e 19. “Não tem nada de IA nisso. Tinha alguém capturando a imagem, alguém mandando para o Brasil, alguém transcrevendo, alguém desenvolvendo o sistema. São muitas pessoas para que uma imagem chegue bonita, on-line, para todo mundo.”

O sistema, aliás, é o desafio menos óbvio. Antes do Reflora, o JBRJ já havia criado o Jabot, um gerenciador de coleções desenvolvido internamente a partir de 2003 e hoje usado por cerca de 100 herbários brasileiros. Um acervo biológico, explica Forzza, não é um estoque com entradas e saídas: ele é vivo e, por isso, dinâmico. Cada novo consenso taxonômico — e eles não são raros, como demonstra a exsicata baiana de Darwin — pode rebatizar espécies, fundir gêneros ou desmembrar famílias, e o banco de dados precisa acompanhar essa reestruturação. “A gente tinha que desenvolver um sistema de dados capaz de entender o que os botânicos fazem. O que eu falava tinha que ser entendido pelos engenheiros de computação e analistas que estavam desenvolvendo o sistema, e o que eles falavam tinha que ser entendido por mim. Foram muitos tropeços até funcionar”, relata Forzza. Para o Herbário Virtual, entrou em cena a Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o matemático Geraldo Zimbrão à frente de uma equipe de analistas e pós-graduandos. “Nenhum dos nossos sistemas foi copiado de países desenvolvidos. A tecnologia é toda nacional, feita por servidores públicos. Tenho orgulho disso”, diz.

O CNPq lançou um único edital do Reflora, em 2010, e o programa sobrevive desde então com aportes pontuais. “É o único país do mundo que faz isso tão bem, com tecnologia própria. Não é justo abandonar os botânicos”, diz Forzza, que vê como próximo passo a construção de bibliotecas de imagens capazes de treinar sistemas de identificação automática — atualmente ruins para trabalhar com a flora tropical porque vastas regiões do Brasil ainda não têm amostras coletadas. “A máquina vai aprender por onde, se a gente não ensinar?”

Em paralelo, Zago sugere novas expedições a partir das informações repatriadas. Como cada imagem traz o local exato da coleta, ele já propôs enviar equipes aos mesmos pontos, colher amostras equivalentes e sequenciar o DNA, reconstruindo, quase dois séculos depois, o caminho dos naturalistas de outrora. “Isso não andou. Quem sabe ainda ande um dia.”

Para Sakuragui, seguir refazendo essa trilha é possível. “Uma exsicata é um registro permanente de uma planta em determinado lugar e momento. Por isso, coleções históricas permitem responder perguntas que seus próprios coletores nem poderiam ter imaginado.” Que o diga aquele jovem naturalista inglês de 23 anos que, coletando e prensando folhas na Bahia, jamais imaginaria que, um dia, sua planta voltaria para lá.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

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