Softwares ajudam a monitorar a saúde das árvores das cidades
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| Foto: IPT/Divulgação |
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| Foto: Digicade/Divulgação Geosite |
Os softwares também podem ser alimentados com dados fenológicos das plantas, como época da queda das folhas, da floração e da frutificação, além de informações sobre pragas ou doenças. “Nosso programa possibilitará a participação da população, que poderá solicitar poda ou corte de uma árvore ou a inclusão de um exemplar ainda não cadastrado, inclusive com envio de foto pelo celular”, conta Sereghetti, da CAA.
Exemplos de uso
Em Mauá, o Arbio integrará o Plano Diretor de Arborização Urbana, com recursos de R$ 2 milhões do Fundo de Interesses Difusos da Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania. O objetivo é manter atualizada a base de dados sobre as árvores da cidade e fazer os plantios adequados, além de executar podas corretas, evitando que as plantas fiquem deformadas. Para operar o Arbio, a prefeitura conta com um biólogo, dois engenheiros florestais e um engenheiro-agrônomo. Ainda deverão ser contratados mais um biólogo e um engenheiro-agrônomo, além de outros profissionais como fiscais e técnicos ambientais.Na cidade de São Paulo, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente utiliza um antigo sistema desenvolvido pelo IPT em 2004, o Sistema de Gerenciamento de Árvores Urbanas (Sisgau). Segundo a secretaria, existem cerca de 652 mil árvores na capital paulista, que são monitoradas com informações passadas por engenheiros-agrônomos das prefeituras regionais. Ele é utilizado para cadastrar informações geográficas, fitossanitárias e intervenções de manejo realizados ao longo da vida de cada árvore. Brazolin, do IPT, que participou da produção desse sistema, afirma que o Sisgau não tem funcionalidades presentes no Arbio como a de tentar prever ou gerenciar queda de árvore.
O Geosite, por sua vez, foi lançado em novembro do ano passado. “No
momento ele está sendo testado, por meio de prova de conceito, em
algumas prefeituras e por uma companhia de energia elétrica”, conta
Silva. O programa da CAA começou a ser desenvolvido em novembro de 2016 e
o primeiro protótipo está sendo finalizado. Os dois sistemas serão
comercializados em breve, mas os preços ainda não estão definidos.
Sistemas no exterior
No exterior, já existem sistemas semelhantes em uso. Um exemplo é o Arbomapweb, criado na Espanha pela empresa Tecnigral, utilizado em cidades como Madri e Córdoba. Ele integra ações georreferenciadas de inventário, gestão e incidentes, fazendo planejamento, geração e acompanhamento da floresta urbana.Nos Estados Unidos surgiu o OpenTreeMap, um sistema de acesso via internet com o qual é possível criar projetos de arborização urbana, pagando US$ 164 ao mês. Ele foi desenvolvido por um pool de empresas, com recursos do fundo de apoio para pesquisa e inovação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Além do inventário e fotos de árvores de uma localidade, o software calcula os benefícios da floresta urbana para a cidade como a quantidade de redução de dióxido de carbono (CO2), um dos gases do efeito estufa, nível da qualidade do ar e filtragem da água da chuva para o solo. É usado em vários países, além dos Estados Unidos, como Reino Unido, México e Portugal.
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| Foto: http://blog.opentreemap.org |
De acordo com o biólogo Marcos Buckeridge, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), que estuda a arborização em cidades, o sistema de monitoramento da floresta urbana usado em Nova York, chamado de New York City Street Tree Map, é um dos mais avançados do mundo. “Eles têm um bom mapeamento árvore por árvore e possuem um mecanismo de produzir um cálculo dos benefícios para a cidade”, comenta. O software estima o valor financeiro que cada planta dá de retorno à sociedade por meio de indicadores como, por exemplo, interceptação de água das chuvas, remoção de poluentes do ar e redução de CO2 e outros poluentes.
Para Buckeridge, seria um bom início passar a incluir um planejamento de arborização de forma mais séria e científica em planos futuros de uma cidade como São Paulo. Ele lembra que as cidades sempre terão características artificiais. “Mas elas podem pelo menos tentar ser mais integradas à biosfera do que são hoje”, analisa.
Fonte: Revista Pesquisa Fapesp

